O riso está presente em nosso cotidiano, nas mais diversas
sociedades e sob as mais variadas modalidades expressivas. É possível rir de
tudo: do palhaço fazendo estripolias no
picadeiro, à tragédia envolvendo dezenas de vítimas fatais. Rimos porque somos
humanos. Nossa espécie é a única que ri em todo o planeta e nenhum outro ser,
inanimado ou não, possui o "dom" da comicidade. Mesmo um objeto ou
animal que aparentemente suscite o riso é capaz de tal habilidade, eles apenas possuem características que lembram nossas atitudes. Isso porque, como já dizia Aristóteles, o riso é propriamente humano.
Na obra O riso - ensaio sobre a significação do cômico, o filósofo francês Henri Bergson reúne as ideias apresentadas e
defendidas por ele em três artigos publicados na Revue de Paris, em 1899. Na
obra, Bergson pontua os mecanismos que, segundo ele, são determinantes no
processo de produção do cômico e defende a existência de uma certa
insenbilidade que naturalmente acompanha o riso, fundadamentalmente oriundo das
relações sociais, funcionando como uma "resposta a certas exigências da
vida comum". (BERGSON, 1899, p. 17).
A risada decorre, então, das atitudes involuntárias do corpo, das formas desajeitadas, dos desvios e do exagero, bem como do feio. Essas características são igualmente válidas para as linguagens verbal e escrita quando estão inseridas em uma ideia absurda ou distante dos padrões preestabelecidos:
A risada decorre, então, das atitudes involuntárias do corpo, das formas desajeitadas, dos desvios e do exagero, bem como do feio. Essas características são igualmente válidas para as linguagens verbal e escrita quando estão inseridas em uma ideia absurda ou distante dos padrões preestabelecidos:
(...) A maior parte das palavras que dizemos apresenta um sentido físico e um sentido moral segundo as tomamos em sentido próprio ou figurado (...) Obtém-se sentido cômico quando se toma em sentido próprio uma expressão utilizada em sentido figurado (p.75-76).
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