terça-feira, 20 de agosto de 2013

O rádio e a experiência estética na constituição do ouvinte

Adriano Lopes Gomes



O texto a seguir constitui um resumo extraído do trabalho do professor doutor do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Adriano Lopes Gomes.


Foto: Google.
O rádio é um veículo de comunicação de massa que apresenta o sentido midiático da alteridade, ao produzir qualquer programa, o produtor deve ter em mente a noção de que vai dizer alguma coisa a alguém cujo conteúdo deve ser interessante, inteligível e que, sobremaneira, possa catalisar a atenção para aquilo que é comunicado. O outro, é o ouvinte por excelência, cujo imaginário reveste-se de singular aspecto ao se engajar no ato da escuta. O “eu” que fala e o “outro” que ouve mantêm, assim, estreita relação midiática, tendo a mensagem como ponto de concentração no qual irá se inscrever o processo de revelação dos sentidos.

A linguagem radiofônica, bem o sabemos, reúne elementos da oralidade, muitos de natureza paralinguística. Sendo linguagem falada, ainda que, ao narrar, o locutor venha a se apoiar em texto escrito, o espaço simbólico que daí resulta permite a inserção de componentes que vão além do simples gosto por ouvir rádio. Na ausência de imagens eletrônicas, o rádio passa a evocar situações próprias do imaginário do ouvinte. Por imaginário, entendemos o processo de cognição que decorre da capacidade de fantasiar, criar e representar imagens mentais. O imaginário é, por natureza, a faculdade que evoca situações ausentes ou distantes, reais ou fictícias, presentificando-as no universo mental do sujeito.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Entrevista com Muniz Sodré


A entrevista que você lerá a seguir foi realizada em julho de 2002 por Cristiane Costa, editora do Idéias, publicada pela editora Sulina e que está disponível na internet. Nela o professor Muniz Sodré*, autor de mais de 30 livros e um dos poucos no Brasil a abordar o grotesco na mídia, responde às principais perguntas envolvendo o tema. Selecionamos os seguintes trechos da entrevista:

Muniz Sodré. Foto divulgação.

- Seu livro A comunicação do grotesco data dos primórdios da televisão no Brasil. Mas antecipa muita coisa que está acontecendo agora. O grotesco não evoluiu?

- É preciso ver que a televisão não é um meio único. É tecninamente um veículo em evolução.  (...) Ela evoluiu tecnicamente, mas, do ponto de vista dos conteúdos estruturais, mudou pouco. (...). Ficou evidente é que, sempre que a televisão precisa de público, apela para o grotesco. É uma categoria estética recorrente na vida brasileira.

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